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terça-feira, março 16, 2010

MARIA DO ROSÁRIO PEDREIRA acerca de W.B. YEATS


«William Butler Yeats é um poeta de quem gosto absolutamente de tudo o que li», afirma Maria do Rosário Pedreira ao Poesia Ilimitada. «Basicamente, é considerado 'o último romântico', eu gosto dos românticos, que o influenciaram, mas gosto muito mais deste último romântico, que é se calhar mais directo e menos rebuscado que os ditos românticos (Shelley, Keats…); e, apesar do classicismo da forma, é obviamente um poeta mais moderno (também porque já conviveu com os poetas ditos modernistas, como o Eliot ou o Pound). Mas não sei bem explicar porque gosto tanto dos seus poemas. Admiro, contudo, a sua fidelidade – seja à mulher que sempre amou (Maud Gonne, uma nacionalista, que pediu não sei quantas vezes em casamento), seja ao nacionalismo irlandês (se não tivesse um lado político, talvez não lhe tivessem atribuído o Nobel). Este é o poema dele de que mais gosto (e que recito de cor de quando em quando, por não ter jeito nenhum para cantar).»



WHEN YOU ARE OLD
(1893)

When you are old and grey and full of sleep,
And nodding by the fire, take down this book,
And slowly read, and dream of the soft look
Your eyes had once, and of their shadows deep;

How many loved your moments of glad grace,
And loved your beauty with love false or true,
But one man loved the pilgrim soul in you,
And loved the sorrows of your changing face;

And bending down beside the glowing bars,
Murmur, a little sadly, how Love fled
And paced upon the mountains overhead
And hid his face amid a crowd of stars.


§

José Agostinho Baptista publicou uma versão deste poema em 1996, na Assirio & Alvim. Com a devida vénia:

§


QUANDO FORES VELHA

Quando fores velha, grisalha, vencida pelo sono,
Dormitando junto à lareira, toma este livro,
Lê-o devagar, e sonha com o doce olhar
Que outrora tiveram teus olhos, e com as suas sombras profundas;

Muitos amaram os momentos de teu alegre encanto,
Muitos amaram essa beleza com falso ou sincero amor,
Mas apenas um homem amou tua alma peregrina,
E amou as mágoas do teu rosto que mudava;

Inclinada sobre o ferro incandescente,
Murmura, com alguma tristeza, como o Amor te abandonou
E em largos passos galgou as montanhas
Escondendo o rosto numa imensidão de estrelas.



Maria do Rosário Pedreira
nasceu em Lisboa, em 1959. Licenciou-se em Línguas e Literaturas Modernas, na variante de Estudos Franceses e Ingleses, pela Universidade Clássica de Lisboa (1981). Possui o curso de Língua e Cultura do Instituto Italiano de Cultura em Portugal, tendo sido bolseira do governo italiano. Frequentou durante quatro anos o Goethe Institut, e foi professora do Ensino Básico. Trabalhou como coordenadora dos serviços editoriais das editoras Gradiva, Temas e Debates e QuidNovi. Como escritora, tem publicados vários livros de ficção, poesia, ensaio, crónicas e literatura juvenil. No início de 2010, assumiu funções no Grupo editorial Leya.


Leia mais sobre Maria do Rosário Pedreira no Poesia & Lda,
aqui.

Leia mais sobre W. B. Yeats no Poesia & Lda,
aqui e aqui.

segunda-feira, maio 15, 2006

W. B. YEATS (2)

A DRINKING SONG

WINE comes in at the mouth
And love comes in at the eye;
That's all we shall know for truth
Before we grow old and die.
I lift the glass to my mouth,
I look at you, and I sigh.


UMA CANÇÃO DE BEBER

O VINHO entra, é pela boca
E o amor entra pelo olhar;
É quanto temos por certo
Até crescer e expirar.
Elevo a minha taça à boca,
Olho-te, para suspirar.


segunda-feira, maio 08, 2006

W. B. YEATS

(actualizado, tradução colectiva)

WILLIAM BUTLER YEATS (1865-1939)




THE LAKE ISLE OF INNISFREE (1892)
Ouvir o poema, dito por William Butler Yeats

I will arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made;
Nine bean rows will I have there, a hive for the honeybee,
And live alone in the bee-loud glade.

And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the morning to where the cricket sings;
There midnight's all a-glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.

I will arise and go now, for always night and day
I hear the water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements gray,
I hear it in the deep heart's core.


§


A ILHA DO LAGO DE INNISFREE

Erguer-me-ei e partirei já, e partirei para Innisfree,
E uma pequena cabana erguerei lá, de barro e vime feita:
Nove renques de feijão aí terei, uma colmeia de obreiras e
Viverei sozinho na ensurdecedora clareira.

E aí terei uma certa paz, porque a paz vem lentamente,
Caíndo dos véus da manhã, até onde o grilo canta;
Onde a meia-noite é trémula, e o meio-dia é roxo brilho,
E a noite, de asas de pardais se completa.

Erguer-me-ei e partirei já, porque sempre noite e dia
Oiço a água do lago a folhear murmúrios na rebentação;
Quando vou por estradas, ou por passeios cinza,
Oiço-a no lúmen profundo do coração.