sábado, junho 10, 2006

RAINER MARIA RILKE


RAINER MARIA RILKE nasceu em Praga, a 4 de Dezembro de 1875. Estudou nas universidades de Praga, Munique e Berlim. Em 1902, em Paris, conheceu o escultor Auguste Rodin e foi seu secretário de 1905 a 1906. Residiu em Munique durante a I Grande Guerra Mundial e em 1919 mudou-se para Sierra, na Suíça, onde se estabeleceu para o resto de sua vida, salvo algumas visitas ocasionais a Paris e Veneza. Morreu a 29 de Dezembro de 1926, em Valmont, Suíça. A seguinte versão do seu poema “A Bola”, constituí mais uma colaboração de Jorge Sousa Braga, no Poesia Ilimitada.



A BOLA

Esférico, que no teu voo não cessas de oferecer
o calor de duas mãos com indiferença.
O que nos objectos não pode permanecer,
demasiado pesado para eles, pouco mas suficiente,

para que não possa, de repente,
deslizar em nós, invisível, a tudo o que lá fora
se alinha, em ti desliza, entre queda e voo,
indecisa. Elevas-te primeiro como se

o tivesses levado contigo, arrebatado,
e libertado, depois inclinas-te e ficas suspensa—
e lá do alto mostras, de súbito,
aos jogadores uma nova jogada,
dispondo-os, como se fossem figuras dum bailado,

para logo a seguir, desejada e esperada por todos,
rápida, simples, natural, sem pesar
voltares a cair nas mãos que se elevam no ar.



16 comentários:

Marco Aurélio disse...

João

Uma que gosto muito é:

Que farás tu, meu Deus, se eu perecer?
Eu sou o teu vaso - e se me quebro?
Eu sou tua água - e se apodreço?
Sou tua roupa e teu trabalho
Comigo perdes tu o teu sentido.

Depois de mim não terás um lugar
Onde as palavras ardentes te saúdem.
Dos teus pés cansados cairão
As sandálias que sou.
Perderás tua ampla túnica.
Teu olhar que em minhas pálpebras,
Como num travesseiro,
Ardentemente recebo,
Virá me procurar por largo tempo
E se deitará, na hora do crepúsculo,
No duro chão de pedra.

Que farás tu, meu Deus? O medo me domina.

Um abraço

Marco Aurélio

AF disse...

Há muitos anos que o leio, creio que já se entranhou. Rilke é enorme.

Vida Involuntária disse...

João,

Passei hoje por aqui. Hojen é o dia de mais um equívoco patrioteiro chamado "desafio de futebol Portugal/Alemanha".
Gostei da tradução do JSB. Mas, reparem que um dos pontos altoa do poema é o "calor das mãos". Que no caso futebolístico dá logo "cartão amarelo".
Isto de "amarelar" o Rilke é grave...

Abraço.
Vi.

gica disse...

Florbela Espanca

Vozes do mar


Quando o sol vai caindo sobre as águas
Num nervoso delíquio d’oiro intenso,
Donde vem essa voz cheia de mágoas
Com que falas à terra, ó mar imenso?...

Tu falas de festins, e cavalgadas
De cavaleiros errantes ao luar?
Falas de caravelas encantadas
Que dormem em teu seio a soluçar?

Tens cantos d'epopeias? Tens anseios
D'amarguras? Tu tens também receios,
Ó mar cheio de esperança e majestade?!

Donde vem essa voz, ó mar amigo?...
... Talvez a voz do Portugal antigo,
Chamando por Camões numa saudade!

I disse...

10 de junho-10 de julho...

João Luís Barreto Guimarães disse...

i,

uma viagem a Praga..., o campeonato do mundo de futebol..., a escrita de novos poemas...

sorry,

JLBG

Ricardo disse...

Entao o blogue morreu? João Luís trata lá disto, pá! A malta precisa de mais poesia. Já começa a estar presente o processo de ressaca...

filipelamas disse...

Rilke tem de facto algo de mágico! A forma como descreve objectos e situações trazem um halo de luz a tudo aquilo em que o poeta toca.

Alexandre Dias Pinto disse...

O Tonel de Diógenes tem um novo desafio de interpretação de uma obra de arte visual. Depois das mais de dez propostas de leitura estimulantes para a peça Menino Imperativo de Vespeira, desafiam-se os leitores a proporem significados para a escultura de Louise Bourgeois, ‘Maman’ (1999).
Tonel de Diógenes (http://toneldiogenes.blogspot.com)

rouxinol de Bernardim disse...

Bonito poema! a poesia é a mola que faz gravitar o mundo... mas a guerra também terá poesia?

Deus nos livre desses sonhadores...

20hinrrabarre disse...

:)

João Luís Barreto Guimarães disse...

Ricardo et all,

Estou de volta de férias.

Quando começei o blogue há seis meses, nunca pensei que pudesse exigir tanto da minha disponibilidade como exigiu. Se se quer ser (mais ou menos) sério, há que pensar bem e seleccionar o que se vai postar, num processo que demora (pelo menos) uma a duas horas por dia/tarde/noite. O que me rouba precisamente o tempo diário de que disponho para escrever. A certa altura tem de se optar entre escrever (e ler) poesia ou alimentar o blogue.

Nas estatisticas do Poesia & Lda verifico que existem pelo menos 63 pessoas (chegaram a ser quase 400...) que nestes últimos dois meses visitaram a página diáriamente sem que fossem recompensadas com novidades. No entanto reincidiam no no dia seguinte. Bastariam essas 63 mentes sedentas de poesia para que eu não tivesse coragem para acabar com esta "obrigação" diária.

Daí que... até já.

João Luís Barreto Guimarães

citizenmary disse...

Rilke também foi já alvo das minhas reflexões, belíssimo post este. Partilho o meu, mais modesto: http://citizenmary.blogspot.com/2005/02/rodin-e-rilke-recriar-inocncia.html

Nuno disse...

Bom dia,

Venho por este meio dar-lhe a conhecer “As Mensagens da Mensagem”, uma versão anotada e comentada da Mensagem de Fernando Pessoa, agora disponivel em PDF grátis no site http://omj.no.sapo.pt.

O nosso site – O Major Reformado – conta com muitas visitas de estudantes e outros interessados na vida o obra do poeta.

Ficariamos muito gratos se pudessem ajudar-nos na divulgação do nosso site e desta nossa obra, que julgamos de interesse. Com um link, se for possivel.

Atentamente,

Nuno H
WebMaster
O Major Reformado

salomé disse...

saudades de um novo post*

Cão do vizinho António disse...

Um mais,a dizer que já leu Rilke, que fez sentido na altura em que nele se iniciou,e que se interessa pelas traduções de obras do autor que apareceram mais recentemente.Mas,claro,como leitor empírico.