Em leitura: Dobra, Assírio & Alvim, Lisboa, 2009, de Adília Lopes.Também aqui.
POESIA ILIMITADA
MARGARETA EKSTRÖM nasceu em 1930 em Estocolmo. Poeta, critica, cronista, é mais conhecida porém como ficcionista de histórias curtas, algumas das quais traduzidas em diversos países. Mãe da poeta Johanna Ekström (Estocolmo, 1970), a sua poesia é marcada por uma atenção feliz às pequenas coisas, à ternura, à fragilidade humana, num frágil equilibrio que revela o nosso medo de viver. Os poemas que se seguem são versões minhas traduzidas do inglês e retiradas do livro “To catch Life Anew – 10 swedish women poets” (tradução do sueco de Eva Claeson), Oyster River (Durham, New Hampshire, 2006).
Dos 89% de leitores que compraram poesia neste meio ano (e responderam ao inquérito do Poesia Ilimitada), 47% não chegaram a fazê-lo à média de um livro por mês. A esses - e a novos visitantes deste blogue que se revejam nessa permissa - gostaria de fazer a pergunta que se segue, bem como convidá-los a comentar o resultado deste inquérito:
SONIA ÅKESSON nasceu em 1926 na ilha báltica de Gotland, tendo falecido em 1977 com 51 anos. Poeta de referência para gerações ulteriores, escreveu poemas socialmente comprometidos com o estado social – uma sociedade consciente, com segurança económica para todos - e do papel da mulher na nova sociedade sueca, num estilo simples e confessional conhecido por “Nova Simplicidade”, caracterizado entre outros aspectos pelo ritmo e pela repetição.
KRISTINA LUGN, poeta e dramaturga sueca, nasceu em 1948. A sua é igualmente uma poesia que reflecte as aspirações e os sentimentos, a fragilidade e a solidão das mulheres subjugadas, em poemas negros e dramáticos, onde a morte é um elemento presente de uma forma quase inocente. Diversas vezes premiada, foi directora artística e directora do Dramaten Theather de Estocolmo.
BARBRO DAHLIN (1940-2000) viveu em Estocolmo e em Öland, uma ilha do Mar Báltico. Além de poeta e novelista, exercia psiquiatria. A sua poesia, à semelhança de muita da poesia sueca, é caracterizada por um recurso a símbolos da natureza, em concreto, imagens de sensualidade e esperança.
A. M. PIRES CABRAL nasceu em 1941 em Chacim, Macedo de Cavaleiros, Trás-os-Montes. Licenciou-se em Filologia Germânica na Universidade de Coimbra. É autor de uma vasta obra literária onde a poesia não assume o menor papel. "As Têmporas da Cinza" (Cotovia, 2008), é um livro impressionante de maturidade. Esta é a poesia dos grandes temas entre os quais a morte, a frágil condição humana, a fraca matéria de que é feita a carne, a crítica a um deus indiferente perante o peso omnipresente da passagem do tempo. Dois poemas, com a devida vénia, deste livro que curiosamente, foi também finalista da short-list do prémio Correntes d' Escritas 2009:
RUI PIRES CABRAL (Macedo de Cavaleiros, 1967) acaba de publicar “Oráculos de Cabeceira” (Averno, 2009). Neste seu último livro, o autor permite que a sua voz assuma um registo mais pessoal - sem sombra de confessionalismo, porém - onde o assunto dos amores e do desencontro ("um coração / com defeito"), bem como uma especial capacidade para ver (para re-parar) naquilo que pode constituir material poético passivel de plasmar a contemporaneidade ("esta pomba trucidada pela ambulância"), são transversais a toda uma obra que, se quisermos, pode ser vista e lida como um único poema urbano feito de fragmentos que terminam, quase sempre, em finais disfóricos.
Uma das características que mais aprecio na poesia de Rui Pires Cabral é a qualidade sintáctica com que os poemas se desembrulham, se desenvolvem, numa original teia descritiva (a tempos, mais narrativa), que deixa vincada uma angustiante sensação de incompletude (“como um verso interrompido / nas costas de um envelope”), e a descrença niilista no absurdo da vida (“ou vontade de vingar / o dissabor de viver”).
As viagens (físicas) que caracterizavam os seus primeiros títulos dão agora lugar (porque "As cidades cansam") a uma muito particular viagem por uma lista de leituras (literalmente “abertas ao acaso”) que encimam cada poema, e que decorrendo num ambiente urbano que estava já presente na sua escrita, acentuam agora a perplexidade de uma paisagem sentimental interior que não é particularmente alegre nem feliz, e que a cada passo questiona a vida e os limites da existência, os "encargos / de sombra", sob o signo da solidão. Um desencanto indesistente, portanto: "tinta preta que não sai". Inconformado.
Um poema deste livro, com a devida vénia:
“He loved beauty that looked kind of destroyed”
Gostava dessa espécie de beleza
que podemos surpreender a cada passo,
desvelada pelo acaso numa esquina
de arrebalde; a beleza de uma casa devoluta
que foi toda a infância de alguém,
com visitas ao domingo e tardes no quintal
depois da escola; a beleza crepuscular
de alguns rostos num retrato de família
a preto e branco, ou a de certos hotéis
que conheceram há muito os seus dias de fulgor
e foram perdendo estrelas; a beleza condenada
que nos toma de repente, como um verso
ou o desejo, como um copo que se parte
e dispersa no soalho a frágil luz de um instante.
Gostava de tudo isso que o deixava muito a sós
consigo mesmo, essa espécie de beleza arruinada
onde a vida encontra o espelho mais fiel.
§
Também aqui, aqui, aqui e aqui.


NELSON ASCHER (São Paulo, 1958) é poeta, tradutor e jornalista. Estudou um ano de Medicina que abandonou para seguir o curso de administração da Fundação Getúlio Vargas e posteriormente pós-graduação em semiótica na PUC-SP. Colaborou no jornal Folha de São Paulo desde os anos 80 até Agosto de 2008, escrevendo sobre literatura, cinema e política. Como poeta publicou Ponta da Língua (1983), Sonho da Razão (1993), Algo de Sol (1996) e Parte Alguma (2005). O Jorge Sousa Braga descobriu estes gatos no blogue do António Cícero e achou-os magníficos. Do livro Parte alguma, editado em São Paulo na Companhia das Letras, com a devida vénia:
RYSZARD KRYNICKI (Sankt Valentin, Áustria, 1943), poeta polaco, tradutor e editor. Publicou o seu primeiro livro em 1968. É um dos poetas da Geração de 68 (com Stanisław Barańczak e Adam Zagajewski), profundamente inspirados por Czesław Miłosz. Para além da dimensão politica da sua obra, os poetas da Nova Onda põem ênfase na renovação da linguagem, introduzindo na poesia polaca o cliché, a frase feita, fragmentos de artigos de jornal ou formulários burocráticos. Os 4 poemas que se seguem são versões minhas de poemas incluídos no livro “101 [6 poetas polacos contemporáneos]”, selecção e prólogo de Maciej Ziętara com tradução do polaco para castelhano de Maciej Ziętara e Maurício Barrientos, RIL Editores, Santiago do Chile, 2008.
BÉNÉDICTE HOUART (Bélgica, 1968) acaba de publicar o seu terceiro livro de poemas "Aluimentos" (Cotovia, 2009) e é, para dizer o mínimo, muito original a sua proposta poética. Os assomos de Bénédicte - entre a ironia e o sarcasmo - dão-se a ler dando a ver seu esqueleto, como se de artes poéticas se tratassem, permitindo a autora que o leitor tenha acesso às hesitações da sua voz - à progressão dos próprios poemas, - desembocando estes habitualmente num efeito de surpresa gorando, e bem, as expectativas do leitor. Já assim era em “Reconhecimento” (Angelus Novus, Cotovia, 2005) e em “Vida: Variações” (Cotovia, 2008), numa linguagem que tanto acontece aproximar-se da erudição no mais puro diálogo intertextual com a tradição (de Camões a Pessoa, de Elisabeth Bishop a Sylvia Plath, de Sophia, a Florbela, a Adília, inclusive a Daniel Maia-Pinto Rodrigues, passando por alguma da poesia contemporânea brasileira), como pode assentar em laborações sobre jargões, vernáculo, clichés, provérbios ou o linguarejar popular, estratégia consciente que cria efeitos quer de reconhecimento quer de estranhamento, ainda mais se atentarmos que Bénédicte foi docente universitária de Estética na Faculdade de Letras da Universidade do Porto. Mero preconceito meu. A personna destes poemas são mulheres, (hereges, vividas, velhas, mães, prostitutas), que falam através de poemas que a melhor parte das vezes parece que não querem ser poemas, de tanto simularem desleixo e destilarem irrisão. O jogo, porém, é precisamente esse: desafiar a instituição poética na sua propagada eloquência, com a inteligência de quem sabe manusear a palavra, matéria-prima do poema. Aqui ficam 3 poemas do seu último livro, com a devida vénia:
JOAN BROSSA (1919-1998) nasceu e morreu em Barcelona. Segundo Isidor Consul, que escreve o prefácio a “Quinze Poetas Catalães” (selecção de Alex Broch e Isidor Consul; tradução de Egito Gonçalves, Limiar, 1994), na obra de Brossa “deve ser visto o esforço de actualização do espírito das vanguardas históricas e uma poética em evolução constante. (...) ele foi o fundador do grupo «Dau al Set» com os pintores Tàpies, Ponç, Tharrats e Cuixart, e a sua obra arranca do impacto do surrealismo.» Ainda segundo Consul, «em Brossa o sentido da poesia pode resumir-se encaixando quatro coordenadas: a) um contínuo processo de investigação formal; b) a convicção profunda de que a arte não tem limites nem fronteiras; c) um essencial espírito de pesquisa e de compromisso social, e d) uma manipulação lúdica da realidade.» De saída para Barcelona, aqui deixo um dos poemas de Brossa traduzidos por Egito Gonçalves.
LASSE SÖDERBERG nasceu em 1931 em Estocolmo, na Suécia. Vive actualmente em Malmö. Uma selecção da sua poesia, “Coração de Papel”, revista por Ana Luísa Amaral e Gonçalo Vilas-Boas, de forte inspiração surrealista, foi editada em 2001 pela Quetzal, na sequência da tradução colectiva que decorreu em Mateus, em Abril e Maio de 1998. Dois poemas, com a vénia devida:
OUVIDOS CHEIOS DE ALGODÃO
Primeiro tapo os ouvidos
com ambas as mãos
para não mais ouvir
o eterno sussurro.
Depois começo a encher
os ouvidos de algodão,
grandes pedaços de esquecimento.
Poderei assim escapar?
Para ficar convencido
de ter achado a solução
corto as orelhas
segundo um método experimentado.
Ei-las diante de mim
como duas conchas do mar,
cheias de eterno sussurro
e de anestesiante algodão.
§
GUERRILHA URBANA
(Berlim Leste, 1975)
A altas horas da noite está o centro da cidade
fortemente iluminado como uma sala de interrogatório.
Venho de Greifswalderstrasse.
Nem vivalma. Então algo se ouve subitamente
como se umas botas vazias de borracha
corressem sobre a relva.
Do canteiro erguem-se longas orelhas.
Um coelho salta-nos à frente! Mais um!
E mais um! Um bando de agitadores!
Tropel atrevido, tarados sexuais de olhos congestionados
saltitando como num passe de mágica
tirados das almas adormecidas dos funcionários.
Todas as noites aparecem à luz
sorrindo com desdém de tudo o que lhes mete medo.
CLAUDIA EMERSON (n. 1957, Chatham, Virginia) é uma poeta americana. Ganhou, em 2006, o prémio Pulitzer de Poesia com a colecção “Late Wife”, de onde traduzi o poema que apresento. É professora de inglês na Universidade de Mary Washington, em Fredericksburg, Virgínia, onde vive com o marido, Kent Ippolito, músico de jazz e blues.
Nasceu em Lvov, na Polónia, em 1945. ADAM ZAGAJEWSKI vive entre Cracóvia, Paris e Chicago. É considerado pela crítica como um clássico contemporâneo, como o foram Milosz, Herbert, Holub, Popa ou Brodsky. É um poeta dessa estirpe. Acaba de publicar, neste 2008, na Farrar, Straus and Giroux, de Nova Iorque, “Eternal Enemies”, traduzido do polaco por Clare Cavanagh, professora de línguas e literaturas eslávicas na Northwestern University, que já havia traduzido para o inglês Szymborska e Milosz. Humor, inteligência, cepticismo e economia de linguagem podem ser encontrados nestas três versões que trago do inglês, onde conspiram o peso do lugar e da história, a emergência da arte e da vida quotidiana. Quando me cruzei por acaso com o Jorge Sousa Braga em Praga, há uns anos atrás, levava na mão recolhas de Simic e Armitage, que lhe anunciei entusiasmado como as grandes descobertas que são. O Jorge, porém, já transportava uma colecção da Faber and Faber de Adam Zagajewski, poeta do qual eu nunca havia lido nada, e sobre o qual colocou um post há tempos atrás, aqui, no Poesia Ilimitada, com a tradução de 12 poemas. São para o Jorge, estas versões, que encontrei numa estante de Estocolmo. Do último livro:
GUNNAR EKELÖF, poeta surrealista e modernista sueco, nasceu em Estocolmo em 1907 e morreu em Sigtuna em 1968. Segundo Marianne Sandels, "foi mestre na arte de descrever os sabores do Verão, a neblina que se ergue sobre os pequenos lagos à noite, os prazeres simples da vida rural, que lhe permitiam comungar com a Natureza. (...) Este amor pela paisagem sueca, embora simples e discreto, podia na verdade compensar a sua falta de entusiasmo pela «nova» sociedade sueca que então surgia". A Quetzal editou, em 1992, "Antologia Poética" com traduções de Ana Hatherly e Vasco Graça Moura. De partida para o longínquo norte, dois poemas:
BORIS VIAN (1920-1959) viveu poucos anos, o suficiente porém para alcançar a notoriedade como músico de jazz, autor e actor de teatro, tradutor, cronista, entre muitos outros ofícios onde se conta também a engenharia. Mais conhecido como autor de ficção (“A Espuma dos Dias”, “O Outono em Pequim”, “Morte aos feios”, entre outros títulos), foi igualmente o notável autor de poemas onde a ironia é quase sempre o passaporte para o absurdo. Admirador e amigo de Jacques Prévert (1900-1977), admirado e lido por Alexandre O’Neill (1924-1984), publicou em 1949 “Cantilènes en gelée”, poemas e cartas que Margarida Vale de Gato agora traduziu com elegância e engenho, e a Relógio d’Água editou, em Fevereiro de 2004. Trois poèmes, do melhor que as franjas do surrealismo francês nos ofereceu. Com a devida veniá…
PÉTER KÁNTOR nasceu em Budapeste em 1949, tendo-se graduado em Literatura Inglesa e Russa. O seu trabalho inicial é caracterizado pelo tom rebelde da geração Beat. Mais recentemente, a sua é uma voz que almeja sem pathos, a objectividade dos pequenos eventos e da banalidade do dia-a-dia. Poeta e tradutor, publicou vários livros de poesia. Foi prémio Attila Jozsef em 1994.
SÁNDOR CSOÓRI (n.1930, Zámoly, Hungria) é provavelmente de entre os poetas húngaros que me foram dados a ler, aquele a cuja poesia mais vezes regresso. Diversas vezes premiado, é autor de numerosos livros de poemas, bem como de ensaios, novelas e argumentos para filmes. “Com Cisnes Sob o Fogo do Canhão”, é o livro de versões que Egito Gonçalves editou sobre tradução literal de Pál Ferenc e revisão de Mária Demeter (Limiar, 1997). Três poemas, com a devida vénia:
NO BAGO DE UVA DEIXADA CAIR NO PASSEIO
Neste ano também houve um Outono magnífico, um Novembro ensolarado
mas por toda a parte só velhos deambulavam de um lado
para o outro, interminavelmente,
mexiam-se com lentidão na forte luz solar
como punhos a debulhar milho.
Eu andava entre eles, cabeça baixa, no parque, nas avenidas.
Não queria que vissem: a morte lembra-me apenas
o teu corpo que sempre se torna de novo primaveril.
Foi isso que procurei no bago de uva caída no passeio:
ver se nele descobria a presença na rua
do teu dinamismo doce,
o teu sorriso a condizer com o céu
rodeado de folhas que borboleteiam espessamente, amarelas de morte.
§
POEMA A DUAS MULHERES AO MESMO TEMPO
Vocês vêm, tocam a campaínha,
passando a maçaneta rapidamente de uma para a outra.
Tu, loira, enlutada, de preto,
ela em saia azul de jeans, poída,
como quem após semanas molhadas até aos ossos
estivesse a enxugar-se no Maio inteiro num topo de colina.
Contigo vem também o bosque, também o cemitério,
países, com uma sensualidade oculta,
o mel,
a imprecação;
a anarquia reprimida do álcool
e enxames de moscas loucas
que dançam loucamente sobre a tua cabeça.
E não há Inverno, se vires, não há Verão,
há só febre dentro das costelas, imenso azul
e palavras a despirem-se na boca.
Ela chega sempre de improviso, apenas como quem traz
uma boa nova, como se trouxesse notícias de si própria.
A sua pestana: caniço preto,
em redor das suas ancas de uma vez duas Primaveras
e a sua boca abre-se para sorrir: como se um
comboio branco
passasse silenciosamente.
Vocês vêm, tocam a campainha, rindo uma para a outra
não suspeitando quem é que é a outra:
se amiga, companheira?
se amiga, amante?
mulher de limpeza dos sonhos?
pois as vossas caras só eu as enfrento, egoisticamente,
e brinco, ocultamente, com as vossas mãos também
na mesma cama,
ao mesmo tempo,
na mesma ausência -
das covas secas do mundo
ponho-me a rir, separadamente, por vosso gosto
e não me entristece ser isso uma condenação:
na minha morte serei,
sem falta, indivisível.
ENDRE KUKORELLY, poeta húngaro de que já aqui falámos brevemente, nasceu em Budapeste em 1951. A sua é uma poesia geralmente satírica onde o gosto pelo absurdo e pela irrisão anunciam uma atitude declaradamente anti-lirica. Isso mesmo nos diz Fernando Pinto do Amaral na apresentação que faz ao livro "Um Jardim de Plantas Medicinais", tradução colectiva (Mateus, Abril de 1995), editado pela Quetzal em 1997, de onde retirei o seguinte poema dedicado à memória de Thomas Bernhard:
PÉTER ZIRKULI (n.1948), escritor húngaro, nascido na Roménia. O poema que se segue foi retirado do livro "O Instante Luminoso", Quetzal, 1997, tradução colectiva (Mateus, Abril de 1995), revista e apresentada por Nuno Júdice.