domingo, março 19, 2006

DANIEL MAIA-PINTO RODRIGUES e FRANCISCO DUARTE MANGAS

Ainda a propósito da recente troca de posts, ocorreu-me (durante o almoço…) ir procurar à estante e trazer para cima da mesa desta tertúlia, dois outros bons poemas de dois poetas que vivem no Porto, Daniel Maia-Pinto Rodrigues e Francisco Duarte Mangas, ambos nascidos em 1960.

Diospiro”, publicado em “Conhecedor de Ventos” (Porto, AJHLP) é de 1987, e foi escrito pelo primeiro. “Aviso Dos Mais Velhos Aos Jovens Escritores” apareceu em 1984, em “Cavalo Dentro da Cabeça” (Porto, AJHLP), e foi escrito por Francisco Duarte Mangas.



DIÓSPIRO (1987)

depois do almoço
quando arrastamos a cadeira
um pouco para trás
uma sonolência morna
entrelaçada de luz
entra pelas janelas
ludibria as cortinas
e difusa poisa no vinho

é nessa altura que dizemos:
vou comer este diospiro
antes que apodreça



AVISO DOS MAIS VELHOS AOS JOVENS ESCRITORES (1984)

cuidado cão,
e com

18 comentários:

Luís Maia Varela disse...

Caro João Luís Barreto Guimarães

Desta vez estou mais de acordo consigo. E pode ser fascinante o modo como, através de um "open end", um poeta nos deixa todas as portas abertas para, em última análise, lá metermos quase tudo (neste caso, o que um velho autor "contasse" a um outro, mais jovem). Quem sabe, se teoria, se "gossip", se, se, se...
Ainda a propósito do post da polémica,peço-lhe a sua atenção para o último post que lá inscrevi.
Cordialmente,
Luís Maia Varela

Anónimo disse...

Curiosamente o Manuel de Freitas considerou o Daniel Maia Pinto Rodrigues o grau zero da poesia, como se não valesse uma corôa furada. Cá para mim o que se pensa que o Freitas inventou foi, no mínimo, inventado pelo Daniel que, ainda mais, é um grande poeta. E que treta essa da Martha, nem com referência musical nem com nada. A verdade é que lemos tal coisa e seguimos exactamente na mesma. Se isso é do melhor que a poesia tem para oferecer mais vale ficarmos pela prosa.
Ricardo Vasconcelos

Anónimo disse...

Continuamos no caminho errado, se me permite, meu caro JLBG. Se a poesia é isto, o meu sobrinho, de 4 anos, é um grande poeta!! Elevemo-nos, exigemos mais, nem Pessoa seria alguma coisa nesta linha por si postulada. Herculano Lage, lisboa

João Luís Barreto Guimarães disse...

Do poeta escocês KENNETH WHITE, fundador do movimento geopoético, nascido em Glasgow em 1936, dedicado a Herculano Lage (com um cheirinho a Pessoa/Caeiro):


MANHÃ DE NEVE EM MONTREAL

"Há poemas sem título.
Este título não tem poema:
Tudo está além, de fora."


trad. António Osório/Robert Bréchon

Anónimo disse...

Meu caro, acabou por fazer o meu trabalho, dar-me razão. De facto, a sua tão magnífica história da poesia portuguesa é feita de plágios da história da poesia estrangeira. É isso? O Freitas está atrasado 70 anos em relação ao Kenneth White?? É exactamente isso que era preciso dizer. Que não há dúvida de que o lobby «Expresso» - profundamente gay e dogmático - funciona como nenhum outro.

Anónimo disse...

Hélas!!! É isso mesmo!!! Lobby do Expresso não passará de uma fraude? O que eles escrevem será poesia?? Meu deus!!! Atenda nisso JLBG! Permita-me, Herculano Lage

rui disse...

Não me parece q este poema de KENNETH WHITE tenha a ver com a poesia de MANUEL DE FREITAS. Ao ler MdF ocorre-me sempre o título de um grande livro: Conversa de Rotina (de RUY CINATTI).
Parece-me q para falar de influências (não de plágio!) em MdF será esse o caminho.
Aliás, neste debate, conviria ter em conta as influências/descendências (nacionais e estrangeiras) dos poetas da actualidade.
Parece q toda a gente fala como se tudo estivesse a ser inventado agora ou como se entre PESSOA e nós não tivesse havido mais nada.

PEDRada no charcO disse...

Já tudo foi inventado, desde o início...

Vasco Pontes disse...

Para dizer o que vou dizer, devo relembrar que não sou bem de cá...
Mesmo assim gosto do "Diospiro" quase todo. Não gosto da parte final: Ali uma "volta" que não joga ("é nessa altura que dizemos")demasiado altissonante para o tom do resto do poema.
Ao outro não chamo poema: quando faço coisas semelhantes é porque estou preguiçoso ou com dificuldade de me explicar.

alfinete disse...

E o que é o "movimento geopoético"?

formol disse...

o movimento geopoético é uma espécie de romantismo:

aqui

alfinete disse...

Formol, brigado pela referência. Lerei depois com mais atenção. Mas para já não sei se concordo com essa de "espécie de romantismo". Parece-me mais um cruzamento entre pós-modernismo e um fórum social não-governamental.

alfinete disse...

errata: "obrigado" por "brigado" (escapou-me o teclado para a intimidade popular)

Anónimo disse...

Francamente!!! Em suma: melícias, coitado, volveu-se para a parca e pobre doutrina porque pelos seus versos, enfim, paródia de um primário de 8 anos, não consegue ser referido, nem ninguem lhe liga. A poética do Herberto está toda lá, só troca a ordem das palavras e constroi frases que nem ele sabe o que querem dizer. ISSO NÃO É POSIA, bolas!!! Quando a Freitas, Maia Rodrigues e Gomes Miranda, ai meu deus, se aquilo é poesia, o meu sobrinho de 4 anos é um grande poeta, devia ser um dos grandes poetas "sem qualidades". FRANCAMENTE!!! Se isto são as poéticas de risco do século XIX, tão pobrezinhos que nos contentamos uns com outros!! Meus caros: a poesia é um modo de entender, um projecto de vida, tem que acentuar uma ideia, tem que contar uma história, aliando o pessoa aos conceitos universais, valorizando o essencial, a demanda de um sentido e de uma procura, uma linguagem própria, uma tensão original. E por aí, sim, neste contexto, andam alguns poetas: olhem, vejam lá o Júdice, o Agostinho Baptista, o Rui Coias, o Quintais. Esses inventaram uma voz, não reproduziram o que foi já milhentas vezes inventado e recopiado por Melícias e Freitas e Mirandas e Rodrigues e outros que tais. A partir de hoje vou pedir ao meu sobrinho que me escreva versos para a eternidade!!! Querem Outro? Olhem:" Tenho no braço um vento que dardeja um túnel de som, tenho nas mãos um rumor de martelos acesos". Que acham?' Bom? Ai, ai, ai, Herculano Lage

formol disse...

alfinete, és capaz de ter razão nos termos. Parece coisa de arquitectos.

Formol disse...

Sejamos honestos e literais: as polémicas são nuvens da mesma flor.

mario diz disse...

importa-se de repetir?

Barbara disse...

Adoro este poema. Copiei-o, na década de 80, num caderno e, há pouco tempo, publiquei-o no Recanto das Letras. "Alma caridosa" indicou-me o nome do seu autor. E aqui está o meu querido dióspiro/ diospiro. Vou comprar o livro do poeta, terá certamente outras frutas, igualmente.... encantadoras!