sexta-feira, fevereiro 10, 2006

LUÍS MIGUEL QUEIRÓS

É um dos segredos mais bem guardados da poesia portuguesa contemporânea. A editora chama-se "exercicío de dizer", assim, em minúsculas. O livro, de Abril de 1991, tem por nome "As Imagens Dominantes". Só por isto - o que não é pouco - alguns destes poemas mereciam constar de todas as antologias poéticas que se fizeram e se farão acerca dos novíssimos.

Mas Luís Miguel Queirós gosta de dizer que não é poeta. Nem é fácil descobrir na net uma fotografia, a cidade berço, o ano de nascimento. Repetirá que são "coisas de quando ainda era poeta".

Más notícias, Luís Miguel. Quem escreve "Alarmes" nunca mais deixa de ser poeta. Alguns de nós não conseguirão nunca, por mais que tentemos, escrever um poema como este.


ALARMES

não desenroles tanto a noite
em tua pele. não equipares ao corpo
o tropel das palavras
na toalha. não encalhes em mim
tanta beleza. aperta
a blusa. recolhe do meu rosto
os teus olhares, alguma lágrima
brilhando sobre a mesa.

sossega. é cedo ainda
para o deserto trepidante
do desejo. não julgues saber já
que desenlaces
o meu corpo procura
sobre o teu. nem eu te ofereço
o armadilhado morango
do amor. apenas peço
que adormeças,
que dês lugar na cama
ao meu fantasma.

coloca o coração
numa órbita prudente. talvez não tarde
o tempo,
o lugar onde eu te diga
as palavras que desligam
os alarmes que instalei
em toda a alma.

12 comentários:

rui disse...

Ai!... um erro ortográfico logo na segunda palavra contamina o resto da leitura... (não deixa de ser, no entanto, uma boa surpresa)

João Luís Barreto Guimarães disse...

Corrigido, Rui. Obrigado.

João Leal disse...

Mais obrigado por mais uma bela surpresa...

ana salomé disse...

é verdade.
que poesia há nessas palavras.

Anónimo disse...

Não vejo nada de especial nesta poesia! Ora bolas... Carlos Andrade, Porto

Anónimo disse...

Muito banal,o Barreto já equeceu o que se pensava que conhecesse.Só para ter favores, não seja a Madre Teresa!

Vasco Pontes disse...

Sensibilidade, felizmente, não se compra, cultiva-se. É mais ou menos como a boa educação. Ninguém é obrigado a gostar de uma obra (embora "não gostar" não queira dizer que se diminua o seu valor como tal). E pode discordar-se de um critério ou de uma ideia, mais ou menos vigorosamente. Mas é de muito mau gosto denegrir levianamente ... e insultar pessoas é desprezível.

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