segunda-feira, fevereiro 13, 2006

BRIAN PATTEN

BRIAN PATTEN (Liverpool, 1946) é conhecido como um dos "poetas de Liverpool", juntamente com Adrian Henri e Roger McGough. A sua obra poética faz da poesia imediata e acessível às audiências, um dos seus principais desígnios, demonstrando uma natural habilidade para escrever sobre temas sérios recorrendo ao humor. Traduzido em numerosas línguas, é conhecido no Reino Unido pelo seu trabalho poético tanto quanto pelos numerosos livros infantis que publicou. A tradução de "Uma Folha de Erva" - em especial para este dia 14 de Fevereiro - inaugura a colaboração períodica que o poeta Jorge Sousa Braga manterá no Poesia Ilimitada.



UMA FOLHA DE ERVA

Pedes-me um poema.
Ofereço-te uma folha de erva.
Dizes que não chega.
Pedes-me um poema.

Eu digo que esta folha de erva basta.
Vestiu-se de orvalho.
É mais imediata
Do que alguma imagem minha.

Dizes que não é um poema.
É uma simples folha de erva e a erva
Não é suficientemente boa.
Ofereço-te uma folha de erva.

Estás indignada.
Dizes que é fácil oferecer uma folha de erva.
Que é absurdo.
Qualquer um pode oferecer uma folha de erva.

Pedes-me um poema.
E então escrevo uma tragédia àcerca
De como uma folha de erva
Se torna cada vez mais difícil de oferecer

E de como quanto mais envelheces
Uma folha de erva
Se torna mais difícil de aceitar.




5 comentários:

Anónimo disse...

Já se esperava,então,então, até o retrato lhe publicou...

um leitor disse...

Este poema é verdadeiro. Não tenho mais nada a dizer.

Desmancha-Prazeres disse...

Belo poema. Clap-clap-clap-clap.

João Luís Barreto Guimarães disse...

O último livro do poeta Jorge Sousa Braga, "PORTO DE ABRIGO" será apresentado por Pedro Abrunhosa no dia 17 de Fevereiro, 6ª feira, pelas 18h30, no Cinema Passos Manuel, Rua Passos Manuel, 137, no Porto.

Quem tiver gosto em estar presente...


DUNAS

Conhece-os bem os narcisos
e os cardos roladores com as
suas inflorescências azuis quem
anda pelas dunas ao fim da tarde
Enterram fundo as raízes na
areia e florescem florescem
enquanto à volta tudo arde.

governor disse...

Ó si o amor, é ...
afoguem os abrazos,
afogan as mantas
afoguem os retallos
afoguemos brandos chamas
as fogueiras
os ciúmes
abrandem os mastros
os rastros
as po
as bandeiras
as rasteiras
as brincadeiras
que fixemos nas areas,
nos montes silíceos das
areas ... nas praias
aos respaldo
do mar
porque amar?
amar é moito máis que iso,
é un principio que nunca
acaba
e un principio que non queremos
que remata,
que nunca vai acabar
se sabemos ...
como son,
as ondas dun mar,
vai e vén ... vai e vén,
vai e vén,
sempre e sempre
máis fortes ...

carlos Ac liberal