terça-feira, janeiro 31, 2006

LLOYD COLE


LLOYD COLE nasce em 1961, em Buxton, Derbyshire, Reino Unido. Filho de Brenda Cole, dona de casa e Brian Cole, instrutor de condução, é filho único até aos três anos de idade, altura em que nasce o seu irmão Adam. Entra para a escola primária em Chapel en le Frith, Derbyshire e tem a sua primeira namorada, Jane Edwards, aos 7 anos de idade, altura em que se começa a interessar por futebol que chega a praticar, sendo no entanto constantemente preterido na equipe sénior. Bom aluno a matemática, conta que chorou aos 9 anos de idade, quando o seu clube de eleição, o Chelsea, ganhou o campeonato inglês de 1970. Teve outra alegria recentemente. Num e-mail que trocamos teceu rasgados elogios a José Mourinho que considera genial... Uma das primeiras bandas que o cativou foram os T Rex, mas as suas preferências musicais aos 10 anos passavam pelos omnipresentes Beatles, David Bowie, e Alice Cooper. Estuda na New Mills Grammar School, em Cheshire e recebe como presente no seu 11º aniversário aquele que fica gravado como o primeiro LP da sua colecção, "Electric Warrior", dos T Rex. Aprende golf e interessa-se por ficção cientifica, apontando Michael Moorcock como o seu favorito. Aos 14 anos ouve "Born To Run", de Bruce Springsteen, e sem abandonar os estudos forma dois anos mais tarde com Michael Towers e Duncan MacKenzie a sua primeira banda de punk rock onde canta e toca baixo em festas particulares e de liceu usando o casaco de couro da mãe que se encarrega de destruir com alfinetes e pins. Aos 16 anos estuda geografia, matemática e economia. Ouve essencialmente punk rock, tocando baixo nos "Vile Bodies" que nunca actuaram ao vivo. Aprende a tocar guitarra. Descobre os Velvet Underground. Aos 18 anos, os pais mudam-se para Glasgow em busca de melhores condições económicas mas Lloyd fica a viver em Chorley, Lancashire, nessa mesma casa onde se dedica a jogar cartas com os amigos depois das aulas. Passa nos exames finais e é aceite em Direito no University College of London. Em Londres, aos 19 anos, faz novos amigos. Adapta-se facilmente à vida cosmopolita. Ouve Chic, Funkadelic, James Brown, Stax. Começa a fumar cigarros de mentol. Tem uma namorada italiana. Dificuldades no estudo de Direito, saí à noites para concertos dos PIL, Magazine, Joy Division. Sente a morte de Ian Curtis. Conhece o seu melhor amigo, Michael, com quem viaja pelo noroeste europeu com pouco dinheiro na algibeira. Deixa Direito e Londres e decide estudar inglês, filosofia e artes gerais. É aceite na Faculdade de Artes da Glasgow University. Aos 20 anos ouve Staple Singers, Al Green, Orange Juice. Conhece Blair Cowen depois de ter colocado um anúncio na associação de estudantes a pedir um teclista e forma os "Fun". Tocam apenas duas vezes ao vivo, músicas tipo Soft Cell e decidem terminar o projecto formando os "The Casuals". Conhecem Neil Clark, guitarrista, com quem decidem formar uma nova banda, "Lloyd Cole and The Commotions". Em dois anos ganham seguidores locais transformam-se numa banda pop-rock e escrevem "Are You Ready To Be HeartBroken?". No verão de 83, Lloyd Cole, então com 22 anos, e Blair Cowan decidem abandonar os estudos para se tornarem músicos profissionais. O pai de Lloyd empresta-lhes 500 libras para ensaiarem e no inverno desse mesmo ano escrevem "Perfect Skin" e "Forest Fire". Pagam a dívida contraída e admitem Stephen Irvine, baterista, e Lawrence Donegan, baixista, para a secção rítmica da banda. Em Fevereiro de 84, aos 23 anos, assina um contracto de 5 discos com a Polydor. Na Primavera desse ano sai o single "Perfect Skin" que de imediato atraí a atenção dos media. Em Setembro, "Rattlesnakes", o álbum de estreia produzido por Paul Hardiman, entra directamente para o 13º lugar da tabela de vendas no Reino Unido e torna-se num curto espaço de tempo disco de ouro. É votado pelos leitores do New Musical Express como o 22º melhor albúm de sempre e pelos críticos da mesma revista como o 96º melhor albúm da história da música.



RATTLESNAKES (1984)

Jodie wears a hat although it hasn't rained for six days
she says a girl needs a gun these days
hey on account of all the rattlesnakes
she looks like Eva Marie Saint in On the Waterfront
she reads Simone de Beauvoir in her American circumstance

she is less than sure if her heart has come to stay in San Jose
and her neverborn child still haunts her
as she speeds down the freeway
as she tries her luck with the traffic police
out of boredom more than spite
she never finds no trouble she tries too hard
she's obvious despite herself

she looks like Eva Marie Saint in On the Waterfront
she says all she needs is therapy
yeh, all you need is love is all you need

Jodie never sleeps because there are always needles in the hay
she says that a girl needs a gun these days
hey on account of all the rattlesnakes
she looks like Eva Marie Saint in On the Waterfront
as she reads Simone de Beauvoir in her American circumstance

her heart… heart is like crazy paving
upside down and back to front
she says ooh, it's so hard to love
when love was your great disappointment



§



CASCAVÉIS

Jodie usa chapéu embora não chova desde há seis dias
uma rapariga precisa de uma arma hoje em dia
por causa desses cascavéis
parece-se com Eve Marie Saint em Há Lodo No Cais
e lê Simone de Beauvoir na sua circunstância americana

está menos que certa se o seu coração veio para ficar em San José
e a sua criança perdida ainda a persegue
enquanto acelera pela auto-estrada
enquanto tenta a sorte com a polícia de trânsito
sem aborrecimentos, mais, com rancor
nunca encontra despreocupações, ela tenta bastante
é objectiva, apesar de tudo

parece-se com Eve Marie Saint em Há Lodo No Cais
o que precisa é de terapia,
sim, tudo o que precisas é amor tudo o que precisas

Jodie nunca dorme porque há sempre agulhas no feno
uma rapariga precisa de uma arma hoje em dia
por causa desses cascavéis
parece-se com Eve Marie Saint em Há Lodo No Cais
lê Simone de Beauvoir na sua circunstância americana
seu coração… é como mosaico trocado
de cima para baixo, de trás para a frente
e diz oh, é tão difícil amar
quando o amor foi a grande decepção


8 comentários:

Rui Lage disse...

É pena que o Lloyd Cole tenha perdido a centelha de outrora. Foi o cantor/músico/poeta mais interessante da música pop depois do Morissey e houve ali um tempo em que eu quase podia jurar que iria ser o novo Leonard Cohen. "Forest Fire" devia ser considerada património da humanidade, assim como tantas outras. Ainda brilhou no primeiro a solo, onde se choca com aquele monumento que é "Downtown". E no "Love Story" andou perto.

Anónimo disse...

Fantástica tradução, de um autor que escreve as suas letras como quem escreve poesia...

dale disse...

Gostaria de saber se a minha poesia é passível neste blog, que não conhecia e que tanto apreciei. Desde já agradecido pela atenção dispensada.

www.poesiatoda.blogspot.com

dale disse...

Correcção: "/.../ se a minha poesia é passível de ter alguma atenção neste blog /.../"

João Luís Barreto Guimarães disse...

Um poema de Alexandre Dale:

Dá-me um beijo,
sereia pescadora.
Dá-me um beijo com anzol,
que o beijo é pendurar a boca em outra boca
e inventar uma lua pecadora
cheia grávida de sol.

Outros poemas em www.poesiatoda.blogspot.com

inesgc disse...

olá maninho! Confesso que é a promeira vez que venho ver o teu blog...no entanto queria-te deixar uma palavra de parabéns pois está espectacular. Continuação de bom blog Bjs

esteba disse...

O Lloyd pra mim foi a melhor banda que ja existiu. Se vc considerar que não tiveram quase nenhuma exposição na mídia e o discos eram passados de mão em mão e as fitas K7 idem nos anos 80 tu entende o porque da banda ter se tornado tão cult. Ouvi pela primeira vez em 90 e achei ter encontrado o que eu sempre procurei no rock... estilo elegante, suave sem ser fresco e citações que só podiam ser feitas por alguem que manjava do que tava fazendo...

Tenho todos os CDs da banda e da carreia solo do Lloyd.

Infelizmente aquela sensação de descobrimento quando ouvi a primeira vez não volta mais mas a obra completa é discoteca básica em qualquer coleção que se preze.

Bordado Inglês disse...

Obrigada por este excelente texto (e subsequentes comentários - Rui Lage fez-me suspirar com isto: ""Forest Fire" devia ser considerada património da humanidade").
Eu amo a poesia de Lloyd Cole e sempre resisti, firme e dedicada, enquanto muitos amigos e colegas me achincalhavam (O Lloyd Cole aceita tocar em Queimas por meia dúzias de tostões, etc.). Agora já não me sinto tão só. Obrigada.