segunda-feira, janeiro 30, 2006

T. S. ELIOT

T. S. ELIOT (1888-1965)

THE MUSIC OF POETRY (1942)

I would remind you, first, that the music of poetry is not something which exists apart from the meaning. Otherwise, we could have poetry of great musical beauty which made no sense, and I have never come across such poetry. The apparent exceptions only show a difference of degree: there are poems in which we are moved by the music and take the sense for granted, just as there are poems in which we attend to the sense and are moved by the music without noticing it.
(…) The immediacy of poetry to conversation is not a matter on which we can lay down exact laws. Every revolution in poetry is apt to be, and sometimes to announce itself to be a return to common speech…
It would be a mistake, however, to assume that all poetry ought to be melodious, or that melody is more than one of the components of the music of words. Some poetry is meant to be sung; most poetry, in modern times, is meant to be spoken – and there are many other things to be spoken of besides the murmur of innumerable bees or the moan of doves in immemorial elms. Dissonance, even cacophony, has its place: just as, in a poem of any length, there must be transitions between passages of greater and less intensity, to give a rhythm of fluctuating emotion essential to the musical structure of the whole; and the passages of less intensity will be, in relation to the level on which the total poem operates, prosaic – so that, in the sense implied by that context, it may be said that no poet can write a poem of amplitude unless he is a master of the prosaic.


§


A MÚSICA DE POESIA

Recordar-lhe-ia, antes de mais, que a música da poesia não é algo que exista à parte do seu significado. De contrário, poderíamos ter poesia de grande beleza musical que não faria sentido nenhum, e eu nunca me cruzei com tal poesia. As aparentes excepções só demonstram uma diferença de grau: há poemas onde somos levados pela música e não damos valor ao sentido, tal como há poemas onde atendemos ao sentido e somos levados pela música sem dar por isso.
(…) A proximidade da poesia com a conversa não é uma questão para a qual possamos anunciar leis exactas. Cada revolução em poesia é capaz de ser, e às vezes anunciar-se como sendo um retorno a fala comum…
Seria um erro, no entanto, supor que toda a poesia deve ser melodiosa, ou que a melodia é mais do que meramente um dos componentes das palavras. Alguma poesia foi feita para ser cantada; a maior parte, nos tempos modernos, foi feita para ser dita – e há muitas outras coisas para serem ditas para além do murmúrio das inumeráveis moscas ou o gemido dos pombos nos imemoriais ulmeiros. A dissonância, até mesmo a cacofonia, têm o seu lugar: assim como, num poema de qualquer extensão, deve haver transições entre passagens de maior e menor intensidade, para dar um ritmo de emoção oscilante, essencial à estrutura musical do todo; e as passagens de menor intensidade serão, em relação ao nível onde todo o poema funciona, prosaicas – de modo que, no sentido implicado naquele contexto, possa ser dito que nenhum poeta pode escrever um poema de monta a menos que seja um mestre do prosaico."



3 comentários:

rui disse...

"Otherwise, we could have poetry of great musical beauty which made no sense, and I have never come across such poetry." (Eliot nunca se cruzou com Ângelo de Lima...)

Mr. D disse...

Esse comentário é injusto, Rui. Ângelo Lima não tem melodia sem sentido. A que poemas te referes? Os de temática egípcia são belíssimos.
Não me recordo quando Eliot escreveu o ensaio "From Poe to Valery", mas lembro-me distintamente que o autor de "The Wasteland" aí afirma que Poe privilegia a melodia ao sentido a ponto de chegar a disparates semânticos.

rui disse...

Sim, admito, dito assim fica injusto para Ângelo de Lima. Sobretudo considerando a expressão "no sense"/"sentido nenhum". O meu comentário pretendia trazer alguma ironia.
A verdade é q os poemas de A. de L. fazem sentido, todo o sentido, estão cheios de sentido. Mas não o sentido mais imediato dado pela linguagem. Não são as palavras q dão o sentido, mas os sons. Outro exemplo disso são os sonetos de Afrodite Anadiómena de Jorge de Sena.