terça-feira, dezembro 27, 2005

D. H. LAWRENCE

D(avid) H(erbert) LAWRENCE (1885-1930), pseudo-imagista inglês nascido e criado em Nottingham, escreveu poemas sobre figueiras, amendoeiras e ciprestes. Também o fez sobre gencianas. Este Bavarian Gentians é bem exemplo do seu desejo por uma união mais estreita entre homem e natureza. Incluído em Birds, Beasts and Flowers, de 1923, é um poema retórico profusamente ritmado, numa cadência muito ao gosto de um Walt Whitman. O segredo está na música, na aliteração das palavras “dark/darkness", “blue/blueness”, “dark-blue" e "blue darkness”. Um petisco para traduzir, portanto. Quem escolheria “bravas” em vez de “bávaras” que ponha o dedo no ar.



BAVARIAN GENTIANS

Not every man has gentians in his house
in soft September, at slow, sad Michaelmas.

Bavarian gentians, big and dark, only dark
darkening the day-time, torch-like with the smoking blueness of
Pluto's gloom,
ribbed and torch-like, with their blaze of darkness spread blue
down flattening into points, flattened under the sweep of white day
torch-flower of the blue-smoking darkness, Pluto's dark-blue daze,
black lamps from the halls of Dis, burning dark blue,
giving off darkness, blue darkness, as Demeter's pale lamps give
off light,
lead me then, lead the way.

Reach me a gentian, give me a torch!
let me guide myself with the blue, forked torch of this flower
down the darker and darker stairs, where blue is darkened on
blueness
even where Persephone goes, just now, from the frosted September
to the sightless realm where darkness is awake upon the dark
and Persephone herself is but a voice
or a darkness invisible enfolded in the deeper dark
of the arms Plutonic, and pierced with the passion of dense gloom,
among the splendour of torches of darkness, shedding darkness on
the lost bride and her groom.


§


GENCIANAS BÁVARAS

Nem todo o homem tem gencianas em casa
no suave Setembro, no lento e triste dia de São Miguel.

Gencianas bávaras, grandes e escuras, somente escuras
escurecendo as horas do dia, tochas com o azul esfumado da
escuridão de Plutão,
alinhadas como tochas, de chama escurecida espalhada de azul
aplanada em pontos, plana sob a varredura de um dia claro
flor em tocha da escuridão azul-esfumada, ofuscação azul escura de Plutão,
candeias escuras dos salões de Dis, ardendo em azul escuro,
emitindo escuridão, escuridão azul, como as pálidas candeias de Deméter
espalhando luz,
guiando-me então, escolhendo o caminho.

Colhe-me uma genciana, dá-me uma tocha!
deixa que me guie com a forcada tocha azul desta flor
pelas escadas abaixo, cada vez mais escuras, onde o azul é escurecido em
azulado
onde mesmo Prosérpina vai, agora mesmo, desde o Setembro gelado
até ao reino cego onde a escuridão é desperta sobre o escuro
e a própria Prosérpina não é senão uma voz
ou uma escuridão invisível envolta na mais funda escuridão
dos Plutónicos braços, e perfurada com a paixão da densa escuridão,
por entre o esplendor de tochas de escuridão, derrama escuridão sobre
a perdida noiva e o seu noivo.

2 comentários:

Francisco Curate disse...

Muito bom, o blogue. No entanto, uma sugestão: não coloque os poemas em itálico que dificulta muito a leitura dos mesmos. Abraço

João Luís Barreto Guimarães disse...

Obrigado, Francisco. Os poemas sairão, então, em grafia normal.