quarta-feira, outubro 10, 2007

JORGE SOUSA BRAGA




O lançamento dos livros "O Poeta Nu", de Jorge Sousa Braga e "O Século das Nuvens", de Guillaume Apollinaire (versões de Jorge Sousa Braga), decorrerá na próxima sexta-feira 12 de Outubro, pelas 18h30m, no Café Piolho (Café Âncora d'Ouro), na Praça Parada Leitão, 43, Porto). Lerão poemas na ocasião Adolfo Luxúria Canibal, João Gesta, e Rui Reininho.

"Jorge Sousa Braga acaba de reeditar, na Assírio & Alvim, uma nova edição da sua poesia reunida, "O Poeta Nu", acrescentada dos livros "A Ferida Aberta" e "Porto de Abrigo", e de uma sequência de poemas inéditos, "O Lírio que Há no Delírio". Para além da sua obra poética, Jorge Sousa Braga publicou alguns livros infantis, também em verso (entre eles, "Herbário", com ilustrações de Cristina Valadas, que recebeu o Prémio Gulbenkian de Literatura Infantil e foi seleccionado para o Plano Nacional de Leitura), e tem organizado e traduzido várias antologias de poesia, a que acrescenta agora uma segunda versão, revista e ampliada, de "O Século das Nuvens", de Guillaume Apollinaire."


segunda-feira, outubro 01, 2007

RUI PIRES CABRAL (3)


O poeta RUI PIRES CABRAL faz hoje 40 anos. Benvindo aos "-entas", Rui.



REGIONAL BITTERS

O dia está para versos e cerveja amarga.
No sombrio Jug'n'Jester, com bancos
de engordurada madeira e fotografias
das grandes cheias de Leam. Em frente
o largo da igreja paroquial que a chuva
despovoou e à volta os ingleses da vila
num momento fortuito de um enredo maior.
São da minha idade os da mesa de canto,
trocam livros e seguem uma moda própria,
reminiscente de uma juventude literata e boémia
desbaratada nos anos 80. Pergunto-me
que nomes lhes deram e se terão, como eu,
medo de morrer sozinhos. Terão tentado a sorte
nas avenidas de Londres e regressado a casa
para arranjar um emprego na discoteca do mall?
Sim, eles conhecem bem a província da insónia
e do rancor, o pequeno desgosto de saber
onde desembocam as ruas. Mas isto vem afinal
nos braços frios da tarde, dentro da minha cabeça
onde já recomeçou a desfiguração do mundo:
por não me teres acolhido nos meus erros
e nas minhas feridas, nem teres percebido ainda
o quanto esta vida nos pesa e nos trai.

de "Longe da Aldeia" (Averno, 2005)