segunda-feira, maio 22, 2006

GUILLAUME APOLLINAIRE

GUILLAUME APOLLINAIRE
(Roma, 1880 - Paris, 1918)
Poeta francês, filho de uma nobre polaca e de um ex-militar italiano, passa a infância entre Roma, Mónaco, Nice, Cannes e Lyon. Aos 22 anos muda-se em Paris. Escritor claramente à frente do seu tempo, defende a arte dos fauves, apoia o cubismo de Picasso e Braque e mantem-se em contacto com Marinetti e os futuristas italianos. Em 1914, envolve-se na Primeira Grande Guerra e em 1916 é ferido na cabeça. Em 1913 publica Alcools. A força das suas imagens leva-o aos limiares do surrealismo. Apollinaire morre em Paris vítima de uma epidemia de gripe aos trinta e oito anos. Jorge Sousa Braga volta a colaborar, com mais uma tradução, no Poesia & Lda.



69 6666...69...

Os inversos 6 e 9
Estão desenhados como uma cifra estranha
69
Duas serpentes fatídicas
Dois pequenos vermes
Número impudico e cabalístico
6:3 e 3
9:3 3 e 3
A trindade
A trindade em toda a parte
Que se encontra com a dualidade
Porque 6=2X3
E trindade 9=3X3
69 dualidade trinitária
E esses arcanos seriam mais sombrios
Mas tenho medo de os interrogar
Quem sabe se não está ali a eternidade
Mais além a morte envergonhada
Que se entretém a assustar-nos
E o aborrecimento me envolve
Como uma mortalha com lúgubres rendas
Esta noite


segunda-feira, maio 15, 2006

W. B. YEATS (2)

A DRINKING SONG

WINE comes in at the mouth
And love comes in at the eye;
That's all we shall know for truth
Before we grow old and die.
I lift the glass to my mouth,
I look at you, and I sigh.


UMA CANÇÃO DE BEBER

O VINHO entra, é pela boca
E o amor entra pelo olhar;
É quanto temos por certo
Até crescer e expirar.
Elevo a minha taça à boca,
Olho-te, para suspirar.


segunda-feira, maio 08, 2006

W. B. YEATS

(actualizado, tradução colectiva)

WILLIAM BUTLER YEATS (1865-1939)




THE LAKE ISLE OF INNISFREE (1892)
Ouvir o poema, dito por William Butler Yeats

I will arise and go now, and go to Innisfree,
And a small cabin build there, of clay and wattles made;
Nine bean rows will I have there, a hive for the honeybee,
And live alone in the bee-loud glade.

And I shall have some peace there, for peace comes dropping slow,
Dropping from the veils of the morning to where the cricket sings;
There midnight's all a-glimmer, and noon a purple glow,
And evening full of the linnet's wings.

I will arise and go now, for always night and day
I hear the water lapping with low sounds by the shore;
While I stand on the roadway, or on the pavements gray,
I hear it in the deep heart's core.


§


A ILHA DO LAGO DE INNISFREE

Erguer-me-ei e partirei já, e partirei para Innisfree,
E uma pequena cabana erguerei lá, de barro e vime feita:
Nove renques de feijão aí terei, uma colmeia de obreiras e
Viverei sozinho na ensurdecedora clareira.

E aí terei uma certa paz, porque a paz vem lentamente,
Caíndo dos véus da manhã, até onde o grilo canta;
Onde a meia-noite é trémula, e o meio-dia é roxo brilho,
E a noite, de asas de pardais se completa.

Erguer-me-ei e partirei já, porque sempre noite e dia
Oiço a água do lago a folhear murmúrios na rebentação;
Quando vou por estradas, ou por passeios cinza,
Oiço-a no lúmen profundo do coração.