sexta-feira, fevereiro 24, 2006

FRANK X. GASPAR

Descobri este poema sobre o mar há alguns anos atrás, numa altura particularmente interessante da minha vida em que regressava de Nova Iorque onde fui estagiar em Cirurgia Reconstrutiva, e andava fascinado com o filme A Tempestade Perfeita, através do qual procurava referências sobre a emigração portuguesa, entre outros sítios para Nova Inglaterra, prestando tributo à memória do meu avô paterno que esteve emigrado em Newark durante sete anos. FRANK X. GASPAR é um poeta luso-americano que nasceu em Provincetown, Massachusetts, em 1946. Vive na Carolina do Sul e ensina no Long Beach City College. O que escreveu sobre o seu poema Kapital iluminou a minha procura: “Este poema é sobre um homem que foi meu padrasto durante dez anos. Era verdadeiramente um operário, um trabalhador português que trabalhava nas traineiras em Provincetown, Massachusetts, onde cresci. Eu andava a ler Marx por essa altura, quando escrevi este poema e o léxico demonstra isso mesmo. Há várias vozes no poema, falando dele para o mundo e de outros mundos para o poema. Espero que alguma coisa da difícil vida deste homem brilhe aqui, por um momento.



KAPITAL

Hooking boxes of dogfish
across the packinghouse floor,
take the fat grease pencil you
use to mark 36/BOS or 42/NY
on the split-pine boxlids
and draw a circle around
the place where labor becomes
surplus or where my stepfather’s
cigarette, thirty cents a pack
in those days, went sparkling
from his lip when his boot
hit the wet ice, when he went
under the wheels of the forklift:
Three cents a pound, twenty thousand
pounds, packed in ice and stacked:
Take your allowance for boxes,
the box-makers in their wire cages
pumping pedals, take your
allowance for diesel, take
the boat’s share, the owner’s
two shares, the skipper’s son’s
half-share, take making that ripped
pair of gloves last another week,
take him hot soup and bread,
take him his worthless union card
and his thermos of coffee
and his watchcap over his ears:
You can’t save him – he only
wanted to come home to a hot supper,
hash and eggs in the blackened pan
and then lean against the iron stove
to warm his back before bed.
But there’s nothing you can do
in your small child’s terror
when the woman says, What
will we eat? How will we live?

You will eat and you will live,
this time, in this life, though
in other times, you have perished,
and on winter mornings thereafter
you have risen to the lunch pail
and drifted along the glazed wharves
and reckoned your wage on your fingers,
your hard eye drawing its essential light
skyward from the idle trawlers
while they locked and buckled
in the freezing harbor.



§



KAPITAL
Empilhando caixas de cação
ao longo do pátio da conserveira,
pega no lápis grosso e ensebado que
usas para marcar 36/BOS ou 42/NY
nos tampos de pinho
e faz um círculo à volta
do ponto onde trabalho se torna
lucro ou onde o cigarro do meu
padrasto, trinta cêntimos o maço
por esses dias, ia cintilando
desde o seu lábio quando sua bota
atingia o gelo molhado, quando descia
sob as rodas do camião-guindaste:
Três cêntimos a libra, vinte mil
libras, empacotadas em gelo e empilhadas:
Tira os custos para caixas,
os madeireiros em suas jaulas de aço
bombeando pedais, tira o teu
custo para gasóleo, tira
a parte do barco, as duas partes
do proprietário, a meia-parte do
filho do capitão, tira o fazer aquele par
de luvas rasgado durar outra semana,
leva-lhe sopa quente e pão,
leva-lhe o seu inútil cartão do sindicato
e a sua termos de café
o seu boné de vigia sobre as orelhas:
Não o podes salvar – ele só
quis voltar para casa para um jantar quente,
picado e ovos numa panela enegrecida
e inclinar-se depois sobre o fogão de ferro
para aquecer as costas antes da cama.
Mas não há nada que possas fazer
no teu terror de criança pequena
quando a mulher diz, O que
comeremos? Como viveremos?

Tu comerás e viverás,
desta vez, nesta vida, embora
noutros tempos tenhas perecido,
e em ulteriores manhãs de Inverno
te tenhas levantado da selha do almoço
arrastado ao longo do cais espelhado
calculando o teu salário pelos dedos,
teu difícil olhar desenhando sua luz essencial
elevando-se das traineiras vazias
enquanto se trancavam e afivelavam
no porto enregelado.



A quem, como eu, tiver o mito da Nova Inglaterra, aconselho vivamente que perca mais uns minutos a ler esta excepcional entrevista conduzida pelo jornalista António Oliveira a Frank X. Gaspar, publicada no MUNDO PORTUGUÊS e aqui reproduzida na integra com a devida vénia, onde o poeta além de falar de si e da sua escrita nos oferece um retracto da vida nas comunidades piscatórias de Provincetown.


Frank X. Gaspar é um escritor bem conhecido no mundo literário norte-americano, especialmente nos círculos da edição poética, já que os seus primeiros livros são de poemas. É o autor de “The Holyoke”, “Mass for the Grave of a Happy Day” e “A Field Guide to the Heavens”, todos eles livros premiadas. “Mass for the Grave of a Happy Day” foi galardoado com o prémio Anhinga de Poesia em 1994 e “A Field Guide to the Heavens” com o Britting Prize in Poetry. A sua última obra, porém, não é poesia mas uma novela intitulada “Leaving Pico”, publicada em 1999 e bem recebida pela crítica, nomeadamente pelo “The New York Times”. Trata-se da sua primeira incursão na prosa (ao nível da publicação), mas as críticas não poderiam ter sido melhores. Tudo isto não nos chamaria a atenção se Frank X. Gaspar não fosse um luso-americano descendentes de açorianos, nascido e criado em Provicentown, Massachussetts, e escrevesse sobre o seu sentir português. “Leaving Pico” é a história de uma família portuguesa de Provincetown e o seu dilema perante as novas situações que o dia-a-dia americano lhes traz. O “The New York Times” escreveu dela: “A simple and satifaying first novel... Gaspar’s novel is an expert portrait of the Portuguese immigrant experiences, from its resistance to full integration”. Depois de Catherine Vaz, Gaspar é mais um luso-americano a fazer história na literatura americana. Frank X. Gaspar é neto de açorianos da ilha do Pico que emigraram para a América no princípio do século. Jesse e Rosa Gaspar terão sido os primeiros a deixar o Pico, trazendo consigo o avô de Frank, nascido na ilha por volta de 1880. Este aprendeu inglês em New Bedford, onde foi condutor de eléctrico antes de se mudar para Provincetown para se dedicar à pesca da amêijoa. Viria a tornar-se o supervisor desta actividade (Clam Warden). Ambos os lados da família estão ligados pelo mar, pois o seu bisavô, Antone Costa, foi também pescador, mas de baleias. Deve ter emigrado para os Estados Unidos em fins do século XIX ou princípios do XX. Desapareceu no mar em 1913. Os seus pais já nasceram em Provincetown, então uma cidade piscatória sobretudo ocupada pela comunidade açoriana. Frank Gaspar também aqui nasceu e cresceu até aos 17 anos, altura em que decidiu sair de casa em busca da sua «fé». Sabia que queria ser um escritor, mas era necessário entender primeiro as complexidades do mundo fora da sua pequena cidade «portuguesa» de Provincetown. Trabalhou então em vários empregos em New York e Boston durante ano e meio até decidir fazer-se ao mar (instinto ancestral?) como embarcado. Por aqui se manteve durante três anos e meio, até aos 24 anos, altura em que decidiu matricular-se na Universidade para concluir um curso superior.

Mundo Português — Quando é que sentiu que escrever era aquilo que realmente queria fazer?
Frank X. Gaspar — Sempre soube que seria um escritor. Eu sei que isso parece esquisito, mas é a verdade. Quando era criança costuma rabiscar em tudo o que era papel, e na escola, em vez de fazer os trabalhos de casa, escrevia poemas e pequenas histórias. A escrita a sério, porém, só começou no colégio. Como já tinha 24 anos, tirei todas as disciplinas de escrita que pude e lia sem parar. Acho que esta foi a primeira vez que comecei a levar-me a sério.
MP — O mar é qualquer coisa que está sempre presente na sua vida e livros...
FG — O mar está nos meus ossos. Cresci à beira-mar e todos os homens de sucesso na minha cidade eram pescadores. Outros, tais como o meu padrasto, trabalham na indústria do peixe ou no cais. Isto foi nos dias de glória de Provincetown, quando a cidade era como uma base de Portugal e a frota pesqueira, toda ela portuguesa, andava à volta dos oitenta navios. Quando penso na minha herança portuguesa, penso nesses tempos, nesses homens corajosos, nos bares de pescadores, no agradável cheiro do peixe, dos barcos presos ao cais, do cheiro do gasóleo... Foi um tempo de uma beleza ímpar, mas também de trabalho duro. Imagine um miúdo a crescer num ambiente destes! Eu fui dono do meu próprio barco aos 16 anos. Era um barco usado, que deixava entrar água e para o qual comprámos um motor de cinco cavalos em terceira-mão. Pescava então cavala e solha e era obrigado a tirar-lhe a água de quinze em quinze minutos. Mas era maravilhoso. Todos nós éramos bons conhecedores do oceano. Mergulhávamos para apanhar as moedas lançados pelos turistas dos barcos e pescávamos amêijoa. Descrito desta forma, parece um paraíso, mas a verdade é que nós éramos pobres, e há também uma face negativa nisto tudo. Mesmo assim, a beleza estava em todo o lado, especialmente nas pessoas, esses maravilhosos portugueses, os mais velhos, e depois a geração dos nossos pais. Que mundo esse!
MP — Você foi educado na cultura portuguesa, com valores como o respeito pelos mais velhos, a religião, etc. Até que ponto é que isto influenciou a sua escrita?
FG — A minha escrita, muita da poesia e certamente toda a novela, vêm do amor que sinto pelas tradições da minha herança cultural. Desde cedo que prometi a mim mesmo escrever um livro sobre a minha terra natal, sobre os seus dias de glória, a beleza da comunidade portuguesa, as suas privações e maravilhas. Tudo isto é consequência da nossa maneira de ser muito portuguesa de preservarmos e respeitarmos o passado. Sinto que tenho uma grande dívida para com os já desaparecidos. A novela foi uma tentativa de dar vida novamente a essas pessoas e a esse tempo, da mesma forma que levamos flores à campa dos que já morreram e falamos com eles. Sempre que visito Provincetown desloco-me até à campa onde estão os meus antepassados. Às vezes levo vinho português, que o meu avô tanto adorava. Então sirvo um pouco para ele e bebemos os dois. Gosto muito de conversar com ele e nos últimos tempos há sempre uma imagem que me vem à memória. É a imagem de homens num baleeiro, remando com força e gritando. Neva sobre a baía e o homem está vestido com um casaco e chapéu de lã. Reconheço o meu tio e o meu avô, mas não tenho a certeza quem são os outros. Mas sei que eles são meus antepassados de alguma forma. E depois há um acento vazio e um remo na proa. Esse será o meu lugar. Eles virão buscar-me quando eu morrer para me juntar a eles no barco e remar e gritar pelo mar cheio de neve, quem sabe para onde... Esta é a imagem que eu vejo. Sei que um dia me juntarei a eles e que será uma reunião feliz. Mesmo assim, espero que esse dia não chegue demasiado cedo. Tenho mais livros para escrever...
MP — Os seus três primeiros livros são poesia, mas o último é uma novela. Começou por escrever poesia ou prosa?
FG — Eu comecei a escrever pequenas histórias. Eram boas, mas não o suficiente. Comecei a escrever poemas porque me permitiam exprimir as coisas de uma forma mais directa. O meu primeiro livro, “The Holyoke”, é praticamente todo acerca da minha experiência de crescimento na comunidade portuguesa de Provincetown. As histórias não me levam até esse passado com tanta emoção.
MP — Pode explicar a presença da sua herança cultural portuguesa nos seus poemas?
FG — Não posso dar uma explicação muito adequada. Durante anos eu pensei que nós — quero dizer, os «Provincetonianos» — éramos os únicos portugueses nesta terra. Eu não tinha ideia nenhuma da quantidade de portugueses que residiam em outras áreas da América e desconhecia a existência de publicações em português, tal como esta, ou organizações e associações. Senti-me isolado, mas sinto-me também na obrigação de contar a minha história, a NOSSA história. O meu coração bate em português, os meus primeiros cheiros são os cheiros da casa portuguesa, do peixe salgado, da sopa de couves. As nossas festas eram celebradas à maneira portuguesa, não só porque os nossos pais queriam preservar as tradições, mas porque eram aquilo que eles conheciam.
MP — Pensa que essa influência é fundamental na sua obra literária? De que forma?
FG — Sim, tem sido fundamental. Tal como disse Mary Oliver acerca do meu primeiro livro, “O seu povo é português”. Esse livro nasceu directamente das minhas raizes. Onde é que isso me vai levar, não sei. Agora estou a aprender muita coisa sobre a língua e a escrita portuguesa, mas não tenho nenhuma ideia onde isso me vai levar. Certamente que há um elemento espiritual no meu trabalho que vem claramente da minha exposição às influências da religião católica quando era criança. Penso que no futuro me dirigirei por aí — pelos temas espirituais. Mas, quem pode dizer?
MP — O seu último livro, “Leaving Pico”, é uma novela. Porque é que decidiu escrever em prosa?
FG — As personagens e o cenário exigiam a maior esfera de acção de uma novela. Algumas das personagens da história aprecem no primeiro livro, “The Holyoke,”, escrito nos anos 80. Foi aqui que Josie Carvalho “se revelou”, aparecendo em dois ou três poemas. Ernestina, a esposa do sapateiro, apareceu também num desses primeiros poemas, tal com o avô e o tio-avô. O velho Coelho aparece no meu segundo livro de poemas, “Mass for the Grace of a Happy Death”. Mas estes pequenos poemas não dão o espaço a estas personagens que elas precisam para se desenvolverem. Daí ter decidido escrever uma novela. Foi como uma promessa de sangue. Jurei que eles seriam as personagem na novela. Mesmo que eu não pudesse publicá-la, penso que teria fotocopiado as páginas para as distribuir de mão em mão na minha cidade. Estava mesmo preparado para fazer isso...
MP — Trata-se de uma história passada na comunidade portuguesa de Provincetown. O que é que no livro é real e o que é que é ficção?
FG — Bom, devo começar por dizer que a novela NÃO é um autobiografia, como muitas pessoas tentam fazer crer. Por outro lado, também não é histórica nem sociológica. É uma trabalho da imaginação do escritor. No entanto, a cidade é muito real. As casas, as pessoas, o nosso modo de vida, os barcos de pesca, a baía, o oceano. Tudo é real. O narrador não sou eu e a família não é a minha e nada da história me aconteceu a mim. Mas devo dizer que cada tábua e prego da casa do Carvalho é real. Eu cresci nessa casa (não havia nenhuma antena no telhado, posso assegurar-lhe) e nós não tínhamos um vizinho “Lisboa”. Havia uma fábrica de conservas perto da casa que nós adorávamos.
MP — O jornal The New York Times disse do livro que ele é um retrato fiel da comunidade portuguesa e da luta que esta trava na América contra a integração. Acha que os portugueses são mesmo assim? Vivem aqui fisicamente mas o coração ficou em Portugal?
FG — Essa crítica do New York Times é muito interessante. Acho que o “retrato fiel” é um pouco exagerado, mas penso que captei uma pequena parte do modo de vida de uma pequena cidade. Mas não podemos ignorar que há tantas e tão diferentes comunidades portuguesas que nenhuma novela poderia falar por todas elas. Nós precisamos de mais novelas, mais novelistas, mais poetas e mais escritores. Se o coração ficou em Portugal? Absolutamente. Eles falam de Portugal com tanta saudade e tão persistentemente, mesmo sabendo que a vida material é melhor aqui nos Estados Unidos. E a palavra “Portugal” nunca é usada, é sempre “a minha terra”. Foi assim que eu ouvi falar da “minha terra”, que era como uma terra mágica ou o continente perdido da Atlântida. E a língua portuguesa era também essa linguagem perdida, que existia apenas nessas histórias. Eu nunca li muito acerca de Portugal em livros, não era possível encontrar muitas histórias acerca de nós. Era como se fôssemos de outro planeta.
MP — “Leaving Pico” foi classificado como parte daquilo que nos Estados Unidos se chama “literatura étnica”. Acha que isto é bom ou mau para o sucesso do livro?
FG — As pessoas na minha cidade leram o livro e reconheceram o seu mundo. Logo, desse ponto de vista ele é um sucesso. Recebeu também muitas críticas favoráveis onde a história, ser ou não ser sobre portugueses, é irrevelante. Mas se o classificam como “étnico”, melhor, pois há tão pouco escrito acerca de nós que deixem-me pelo menos espetar um dardo na parede. Eu sei que o livro não “fala” por todos os portugueses-americanos que aqui vivem, mas espero que lhes “fale” a eles. Eu espero que haja um outro escritor qualquer que pense “Eu posso fazer melhor do que isto”, ou “A minha experiência não é como esta, por isso vou escrever eu a minha própria”. A verdade é que não há suficiente literatura luso-americana, como também não suficientes personagens portugueses na literatura americana.
MP — O Frank e a Catherine Vaz são os dois únicos escritores luso-americanos editados pela chamada grande imprensa e a escreverem sobre temas relacionados com a nossa herança étnica. Acha que, de alguma forma, sente que representa a nossa comunidade? Por que é que as outras étnias têm tantos escritores de sucesso na América, a escreverem sobre coisas suas, e nós temos tão poucos?
FG — Bom, essa pergunta toca-me particularmente. Penso que a Catherine é um dos nossos grandes heróis. Ela rompeu uma importante barreira. O meu primeiro livro foi publicado há cerca de 10 anos, e apesar de ter vendido bem, uma colecção de poemas não tem o mesmo impacto de uma novela. Foi a Catherine que espetou o primeiro dardo na parede. E que dardo! A minha experiência é substancialmente diferente da dela, tal como o meu livro, embora ambas sejam válidas. A verdade é que são precisos mais escritores de descendência portuguesa. Somos tantos e espalhados por todo o lado que dois ou seis estão longe de nos representar. Mas a sua pergunta toca naquilo que eu penso ser fundamental: onde estão os escritores luso-americanos? Nós estamos aqui, claro, mas onde? Veja-se por exemplo os irlandeses-americanos, os afro-americanos, os mexico-americanos, os cuba-americanos. Todos eles possuem estantes cheias de livros nas melhores livrarias, fazem parte das antologias e a sua literatura é ensinada nas escolas. E nós, onde estamos? Porque razão somos invisíveis? Esta é uma questão que tem de ser discutida. Não sei como vai ser o futuro, espero continuar a escrever e rezo para que a Catherine também, mas a verdade é que precisamos de mais escritores, mais pessoas como George Monteiro, Onésimo T. de Almeida, Alice Clemente e outros que só agora estou a conhecer.
MP — Planeia escrever outra novela centrada na comunidade portuguesa?
FG —Sim, mas não sei como será. Neste momento trabalho em alguns poemas.
MP — Os seus poemas já foram traduzidos para português?
FG — O fantástico Vamberto de Freitas traduziu dois deles. Foi para mim uma honra. O meu português ainda não é muito bom, mas as traduções soaram-me muito bem. Há algum interesse em traduzir mais por parte de outras pessoas, mas nada de concreto até agora.
MP — Como é que é a sua relação com Portugal? Conhece o país? Vai lá muitas vezes?
FG — Já estive em Portugal, mas não visito regularmente o país. Para mim, essa terra continua a ser como uma lenda. Nunca estive nos Açores, mas espero lá ir esta Primavera. Não imagina como estou excitado, pois sempre olhei para as ilhas com um lugar místico.
MP — O Frank é também professor de Literatura e Escrita Criativa. Esta é a combinação perfeita com o escritor?
FG — Não. É muito difícil ensinar e escrever ao mesmo tempo. As minhas turmas são grandes e gerir o tempo é sempre difícil para mim. Quem me dera ter mais tempo só para a escrita! Neste momento ensino durante o dia e escrevo à noite. Espero tirar algum tempo num futuro próximo para começar a trabalhar numa nova novela. Vamos ver.
MP — Pretende vir a ser lembrado como poeta ou ficcionista?
FG — Ficaria muito contente só pelo facto de ser lembrado.



3 comentários:

alfinete disse...

Puxa, não se vê nada.

Menina_marota disse...

Grata pela partilha. Gostei de ler.

Anónimo disse...

Excelente entrevista de um autor que me era totalmente desconhecido.Fiquei com imensa curiosidade de ler "Living Pico"!