quarta-feira, junho 12, 2013

MARTÍN LÓPEZ-VEGA

MARTÍN LÓPEZ-VEGA nasceu em Llanes, Asturias, em 1975. Licenciado em Filología Espanhola pela Universidade de Oviedo, estudou literatura portuguesa na Universidade do Minho e obteve a bolsa Valle-Inclán da Academia de Espanha em Roma, en 1999. Crítico literário e tradutor, tem numerosos livros de poesia publicados. A arte poética que se segue foi traduzida do castelhano por Jorge Sousa Braga para o Poesia Ilimitada, do blogue de Martín López-Vega Rima Interna.



O CRÍTICO E OS POETAS

O verdadeiro poeta está só. Os que andam em manada são o coro.

É impossível que um poeta aceite uma crítica de um libro seu como construtiva. A única coisa que o poeta quer é construir o seu ego e os andaimes do seu ego: uma corte de aduladores o mais numerosa possível.

Para o poeta não há críticos que tenham encontrado defeitos no seu livro: só críticos que não conseguiram compreender a sua riquíssima complexidade.

Tudo se pode dizer de outra maneira, mas não existe nenhuma que não seja susceptível de ser interpretada de forma retorcida. A não ser que se diga “Isto é uma maravilha” ou “Isto é uma merda”...

Citar é retirar do contexto. Se um verso descontextualizado soa ridículo é porque já era ridículo no seu contexto.

Qualquer um com o mínimo de talento pode ridicularizar qualquer coisa; mas há coisas que se ridicularizam a si mesmas.

Se um crítico lê algo que lhe parece um disparate, deve dizer que lhe pareceu um disparate, embora correndo o risco de se expor a mostrar que não percebeu nada. Se o poeta decidiu publicar os seus disparates, porque iria autocensurar-se o crítico.


Se numa crítica alheia um amigo te anima a ver insultos encobertos, desconfia do crítico só depois de teres desconfiado do amigo


Nunca insultes o crítico que te colocou reparos: ele sentirá que lhe estarás outorgando uma medalha.

O critério do crítico-poeta não pode ser ler, estudar, incensar os livros que se pareçam com os seus, sob pena de se converter num bonsai: se lê apenas aquilo que lhe é familiar, nunca crescerá. Mas isso tão pouco quer dizer renunciar ao sentido crítico. Nem tudo é bom apenas por ser diferente, embora tudo o que é redundante seja sempre mau.

O mau poeta entretém-se com aquilo que considera a sua voz, faz trinados como uma cantora de ópera antes de sair de cena. O poeta verdadeiro morrerá procurando essa voz, tratando em vão ignorar que é o silêncio.

Qualquer crítica literária é ideológica. A primeira sintonia (ou a falta dela) que o crítico sente com um livro tem a ver com a sua visão do mundo e a sua atitude perante ela. Nesse primeiro encontro violento tem a sua origem o resto do diálogo do crítico com o texto.


Tenta ser boa pessoa e bom crítico. Mas não mistures as duas coisas. Se como crítico és boa pessoa encher-te-ão a casa de livros com versos horríveis. Se como pessoa és bom crítico, ficarás só.

Não abuses da ironia: as pessoas pouco inteligentes não têm sentido de humor e a maioria delas transformam-se em poetas.

Não confundas os leitores de poesia com os poetas. Por muito que digam que não, os primeiros são muitos mais e é para eles que escreves. Nem uns nem outros te cobrirão de glória, mas ao menos os primeiros não te darão cabo da paciência.

Um crítico que nunca foi insultado é um crítico que nunca acertou em nada.


04/03/2013

5 comentários:

Unknown disse...

Caro João Luís,
Foi com surpresa e agrado que deparei com esta arte poética do Martín. A curiosidade é que eu próprio traduzi o seu livro "LA EMBOSCADA", na altura por sugestão de um amigo e com a promessa, gorada, de que era para publicar. Daí que ainda guarde original e tradução em fotocópias. Se, por acaso, estiver interessado em lê-lo, posso enviar-lho, ainda que o tenha numa velha disquette para a qual já não tenho computador compatível. Na mesma disquette está, aliás, um outro livro do Xuan Bello, que se destinava a publicação.

Noto, entretanto, que a tradução excelente do Jorge Sousa Braga não merece a gralha "libro" que deixou escapar.

Receba um abraço com simpatia do

Luís Maia Varela

Fanzine Episódio Cultural disse...

“IX CONCURSO PLÍNIO MOTTA DE POESIAS”

A Academia Machadense de Letras (Machado-MG / Brasil) comunica a realização em novembro de 2013 de seu IX Concurso de Poesias. As inscrições encerram-se no dia 14 de outubro (2013). Para receber gratuitamente o regulamento em arquivo PDF, entre outras informações, favor entrar em contato através do e-mail: machadocultural@gmail.com

Obs (PS): O tema é livre e aberto a todos de Língua Portuguesa e Espanhola e a taxa de inscrição é de R$5,00

Favor verificar o recebimento do regulamento em pdf e jpeg.

Leanderson disse...

palavras vicerais

literalmente vossa disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
literalmente vossa disse...

Caro João Luís Guimarães,

Não posso deixar de o congratular e agradecer pelo blog.

Eu gosto de pensar que sou e sempre serei uma poetisa em formação. A facilidade de aceder a grandes obras, frases excepcionais e ideias marcantes é sempre uma boa notícia para quem as procura.

aproveito para deixar o link para o meu blog:
passeiospeloamanha.blogspot.pt

Obrigada,
Literalmente vossa