domingo, maio 31, 2009

NELSON ASCHER

NELSON ASCHER (São Paulo, 1958) é poeta, tradutor e jornalista. Estudou um ano de Medicina que abandonou para seguir o curso de administração da Fundação Getúlio Vargas e posteriormente pós-graduação em semiótica na PUC-SP. Colaborou no jornal Folha de São Paulo desde os anos 80 até Agosto de 2008, escrevendo sobre literatura, cinema e política. Como poeta publicou Ponta da Língua (1983), Sonho da Razão (1993), Algo de Sol (1996) e Parte Alguma (2005). O Jorge Sousa Braga descobriu estes gatos no blogue do António Cícero e achou-os magníficos. Do livro Parte alguma, editado em São Paulo na Companhia das Letras, com a devida vénia:



ELEGIAZINHA

[i. m. nikita (gata da Inês)]


Gatos não morrem de verdade:
eles apenas se reintegram
no ronronar da eternidade.

Gatos jamais morrem de fato:
suas almas saem de fininho
atrás de alguma alma de rato.

Gatos não morrem: sua fictícia
morte não passa de uma forma
mais refinada de preguiça.

Gatos não morrem: rumo a um nível
mais alto é que eles, galho a galho,
sobem numa árvore invisível.

Gatos não morrem: mais preciso
- se somem - é dizer que foram
rasgar sofás no paraíso

e dormirão lá, depois do ônus
de sete bem vividas vidas,
seus sete merecidos sonos.



3 comentários:

Giuliano Quase disse...

Este é da terrinha.

=]

Jacob Jakovski disse...

A única coisa sobre a qual o poeta se enganou é que gato não procura alma de rato. As almas dos dois juntas brincam de domesticar as almas humanas...

Monnica Moraes disse...

Linda a poesia! Acabei de ouvi-la no canal CURTA!, na TV fechada e de tal forma me encantei que corri em buscá-lo. Convivo com gatos, meus pais também, pois Minh irmã, que convive com muuuitos gatos desde 2009,nos despertou essa paixão. E gato é isso, beleza, poesia, sutileza...